Código Design

Promoção do design português é o que podemos encontrar na CódigoDesign, um gabinete de arquitetura de interiores, uma galeria de arte, e um espaço comercial para o design. Manuela Pinto, diretora de design de interiores e fundadora da CódigoDesign, e Nelson Silva Sousa, fotógrafo e Diretor Artístico da Galeria, falam-nos mais sobre este espaço de representação da criação portuguesa.

O que está na génese da sua criação?

A necessidade de um espaço para o gabinete de design, a apetência pela inclusão da arte nos projetos realizados, e a vontade de disseminar a ideia do enriquecimento da vivência dos espaços quotidianos pela presença da arte.

Também a vontade de constituir um espaço de promoção para o design português – não necessariamente de portugueses, mas pensando, e normalmente feito, em Portugal; porque o design de outras origens já está por cá bem representado, ao contrário dos nossos criadores.

Neste sentido, foi também porque pensamos ser fundamental a criação de sinergias, e o desenvolvimento de todos os processos , que possam alavancar um muito necessário crescimento económico, com o fortalecimento dos vários aspetos do nosso sistema produtivo.

O que podemos encontrar neste espaço?

Desde já uma novidade, o showroom de duas empresas que distribuímos para o norte do país – a MOKKI, jovem marca que se destaca pela excelência do design de iluminação; e a ADICO, empresa centenária de mobiliário metálico que dispensa apresentações, autora da famosa “cadeira portuguesa” que encontramos em esplanadas por todo o país. Aliás, estamos neste momento a inaugurar este espaço, onde mostramos os vários modelos que constituem o rico catálogo da empresa, tanto para utilizações de exterior como de interior, e com modelos que resistem à passagem das décadas com a mesma jovialidade do momento em que forma criados, a conviver com o design da atual equipa, e que acreditamos ser capaz de conquistar o tempo com a mesma agilidade dos seus predecessores.

Temos também alguns exemplos do design da nossa própria equipa; e de outros autores como o Paulo Ramunni, a ALIGA e APartirDoNada. Os tapetes da Ferreira de Sá, tapetes beiriz – tapeçaria tradicional, e Lusotufo são também presença importante. E, claro, no âmbito da galeria de arte, temos periodicamente exposições temporárias, frequentemente de artistas jovens, ainda pouco conhecidos do público mas em cujo trabalho acreditamos plenamente. Para além das mais consagradas pintura e escultura, propomos muito desenho, gravura e fotografia de autor, disciplinas por vezes menos consideradas, mas com extraordinárias possibilidades expressivas. Procuramos também ter uma boa representação de cerâmicas de autor, que curiosamente, inclui muitas peças de autores estrangeiros a residir em Portugal.

Assumem-se como um espaço de representação da criação portuguesa. De que forma são criadas as parcerias e a representação dos artistas e dos seus projetos?

O fundamento das nossas parcerias é a confiança entre as partes. Umas vezes somos nós que procuramos as empresas ou os artistas, outras vezes é o contrário; mas a atitude é sempre a mesma. Somos explícitos. Procuramos possibilidades, e o desenvolvimento; e, portanto, também expomos naturalmente as limitações, nossas, dos outros, das conjunturas; falamos da mesma forma do possível e do improvável; e trabalhamos com o mesmo empenho para nosso benefício como dos nossos parceiros; damos e solicitamos com o mesmo à vontade.

Os nossos parceiros sabem-no, e, por isso, é fácil conciliar esforços para concretizar mais além. A colaboração, bidireccional, assumida e descomplexada, é essencial para o crescimento, individual e coletivo. Normalmente, e aqui o espírito da arte deve ter uma grande influência, há um fascínio comum pelas ideias, pelas coisas belas, materiais ou conceptuais, pela superação, técnica, estética, pela concretização, e pela partilha.