José Ferraz : Inteligência Artificial
No contexto atual, IA é, com certeza, um dos termos que mais ouvimos no dia a dia das empresas. Muitos de nós, ouvimos o termo e decoramo-lo, outros interessam-se por ele e pesquisam, outros, como é o meu caso, preocupam-se em entender minimamente o que é e para que serve a IA e de que forma está, ou pode vir no curto prazo, a afetar a nossa vida empresarial e a capacidade de competir no mercado, em que cada um de nós atua.
Partilho com os nossos leitores, em linguagem simples e resumida, o que aprendi nessa pesquisa.
O que é a inteligência artificial?
A IA é um ramo da ciência da computação que se concentra na criação de sistemas e algoritmos capazes de realizar tarefas, que, normalmente, requerem inteligência humana. Aprendizagem, reconhecimento de padrões, tomada de decisões, resolução de problemas, compreensão de linguagem natural e perceção visual são as competências que a ciência de computação está a introduzir aceleradamente em máquinas, para que elas sirvam o ser humano sem reclamar, sem doenças
e com disponibilidade de trabalho 24 sobre 24 horas. A inteligência artificial contém diferentes tipos de abordagem, gerando termos que se vão tonando comuns, tais como:
Machine Learning – que por definição são sistemas que aprendem a partir de dados, melhorando o seu desempenho com o tempo;
Redes Neurais Artificiais, ou seja, modelos inspirados na estrutura do cérebro humano, usados para reconhecer padrões complexos e realizar tarefas, tais como reconhecimento de imagem ou processamento de linguagem natural;
Sistemas Especialistas, que são programas elaborados para imitar a tomada de decisão humana em áreas específicas de conhecimento;
Visão Computacional, que é uma técnica que permite aos computadores interpretar e entender o mundo visual, como fotos e vídeos;
Processamento da Linguagem Natural (PLN), uma técnica que permite aos computadores entender e responder em linguagem humana.
São, assim, muitas as áreas de aplicação dos sistemas e das máquinas, baseadas em IA, tal como explanarei abaixo. Estamos perante a transformação muito rápida e muito significativa da sociedade e da economia mundial, tal como a conhecemos. É muito provável que as pessoas, sobretudo aquelas que habitam e trabalham em países desenvolvidos, tenham, em prazos muito curtos (há quem afirme que em menos de 2 anos), de mudar hábitos de trabalho e hábitos sociais de forma acelerada. A boa notícia é que, de um modo geral, o ser humano terá que trabalhar menos, relegando para as máquinas e para os sistemas munidos de IA os trabalhos mais duros, mas também aqueles que tecnicamente carecem de rápidas respostas, em benefício do ser humano.
Na saúde, por exemplo, a IA pode melhorar diagnósticos médicos, personalizar tratamentos, prever surtos de doenças e facilitar a descoberta de novos medicamentos e algoritmos que analisam imagens médicas, para detetar cancro ou outras doenças de forma mais rápida e precisa que os seres humanos.
Na educação, a IA pode personalizar a aprendizagem, oferecer orientação académica (tutoria) inteligente, avaliar o desempenho dos estudantes e criar conteúdo educacional adaptado a cada indivíduo. De facto, um sistema capaz de atender às necessidades individuais de cada aluno, melhorará, seguramente, a eficácia do ensino.
Na mobilidade, veículos autónomos e sistemas de transporte inteligentes podem aumentar a segurança nas estradas, reduzir congestionamentos e melhorar a eficiência do trânsito de mercadorias e de passageiros.
Na parte que nos concerne, enquanto empresas e trabalhadores, a inteligência artificial está a oferecer e a trazer para o nosso serviço ferramentas, máquinas e sistemas que, quer na indústria, quer nos escritórios, podem automatizar e robotizar tarefas repetitivas e entediantes, libertando recursos humanos para se concentrarem em atividades mais complexas e criativas, que exijam o uso da inteligência emocional.
Na eficiência e na produtividade, a IA pode otimizar processos de negócios, prever tendências de procura de mercado, melhorar a gestão dos stocks e aumentar a produtividade geral das empresas, personalizar serviços e produtos de acordo com as preferências e comportamentos dos consumidores, melhorando a experiência do cliente em áreas como e-commerce, entretenimento e o marketing. Pode, ainda, ajudar na previsão e tomada de decisão racional, analisando grandes volumes de dados para identificar padrões e tendências. Na sustentabilidade ambiental, pode ajudar a monitorizar e gerir recursos naturais, ajudar a prever desastres ambientais e ajudar a promover práticas sustentáveis na agricultura e na indústria.
Em resumo, de forma muito mais rápida do que imaginamos, a IA está a impactar as nossas vidas laborais e pessoais. Como exemplo, todos já experimentámos ser atendidos por máquinas, quando temos problemas técnicos na internet ou no telefone (chatbots assim se chamam estes sistemas).
Ao que parece, a utilização da inteligência artificial não resolve e, provavelmente, nunca resolverá tarefas que exijam inteligência emocional. Essa, há muito que percebemos ser quase impossível de imitar por qualquer sistema ou máquina. Há cerca de 20 anos, vi um interessante filme onde a temática já era abordada – O Homem Bicentenário. Este original e divertido filme de ficção científica de 1999, com o conhecido ator Robin Williams, dirigido por Chris Columbus e baseado num conto de Isaac Asimov, são duas horas de cultura computacional e machine learning, bem como puro prazer e reflexão ao acompanharmos o percurso do android Andrew Martin.
Deixo a sugestão!
