Setores do calçado, couro, madeira e têxtil em destaque na Exponor

Secretário de Estado da Economia afirma: “estamos em condições para enfrentar melhor as circunstâncias do que estivemos há dez anos”

Depois de uma pausa forçada, a Maquishoes, a Expocouro, a FIMAP e a Maquitex levaram à Exponor as últimas novidades nas indústrias do calçado, couro, madeira e têxteis. Secretário de Estado da Economia assinalou presença e mostrou-se otimista em relação ao futuro das indústrias presentes na Exponor, apesar da conjuntura atual, destacando a falta de mão de obra como um dos seus maiores desafios.

 Entre 10 e 12 de novembro, a Exponor foi palco para centenas de empresas nas áreas do calçado, couro, madeira e têxteis, que se voltaram a juntar para assinalar o regresso das quatro feiras simultâneas e especializadas em algumas das indústrias mais preponderantes em Portugal. Foram registados cerca de 10 mil visitantes, onde tiveram destaque as presenças de visitantes nacionais, mas também de Espanha, Alemanha, Brasil, França, Bulgária, Lituana, Itália, Luxemburgo, Turquia, Angola, Estados Unidos, China, Israel entre outros.

Os certames receberam a visita do Secretário de Estado da Economia, João Neves, que reconheceu que o ano de 2022 está a ser bastante positivo para estes setores e que estamos preparados para enfrentar os desafios económicos que se adivinham para 2023. “A perspetiva, até ao final do ano, é de que estes setores batam recordes, quer no volume de negócios, quer no número das exportações, como recuperação depois do ano excecional que tivemos em 2019 e que foi impactado pela pandemia. Por isso, antes de falarmos de crise, temos de olhar para cenário atual, que é muito positivo.”, afirma João Neves.

Sobre os desafios que se adivinham para 2023, o Secretário de Estado explica: “Obviamente que estamos numa circunstância em os mercados de destino (das exportações) que são diretamente afetados pela guerra na Ucrânia têm perspetivas negativas que podem contaminar tudo o que está à volta. No entanto, estamos em condições para enfrentar melhor estas circunstâncias do que estivemos há dez anos, em que a economia estava a decrescer e a dívida a subir. Neste momento, temos a divida a descer, a economia a crescer e esperamos que o trabalho das empresas, das associações e do estado nos ajudem a encontrar as soluções para os problemas que poderemos ter de enfrentar no próximo ano”.

A falta de mão de obra é um dos maiores problemas sentidos pelos responsáveis das empresas nestas indústrias. Para João Neves, “Um dos principais limites ao nosso crescimento é precisamente a mão de obra. Do lado do governo, procuramos implementar iniciativas legislativas no sentido de agilizar a entrada de cidadãos que queiram viver e trabalhar em Portugal, mas temos de encontrar também soluções que não sejam só de aumento da quantidade de recursos. Precisamos de investir na automatização de processos, desde que de forma economicamente viável”. Ainda sobre a falta de mão de obra e o seu impacto nas capacidades de produção e de inovação, o Secretário de Estado da Economia reconhece que “estas são áreas que precisam também de investimento em soluções alternativas que aumentem a produtividade, sobretudo nas indústrias de mão de obra intensiva. Precisamos de agir dos dois lados: pela qualidade e quantidade de mão de obra, e também pelos processos automáticos”.

Palco para a Sustentabilidade e para os novos talentos

Tendo como ponto de partida a busca por soluções inovadoras e competitivas, a agenda de conferências paralelas da Maquishoes e Expocouro, em conjunto com a FIMAP, incidiu sobre a sustentabilidade das indústrias e o combate às alterações climáticas.

A Maquishoes e a Expocouro serviram de palco para a apresentação de um concurso destinado aos designers de sapatos – Mind Shoe Design Contest. Promovido pela Mind, Shoelutions, CTCP e APICAPS, o concurso tem como objetivo encontrar designers interessados em utilizar a criatividade e criar designs atraentes e sustentáveis. João Bernardo, CEO da Mind e Ricardo Conceição, CEO da Shoelutions consideram a sustentabilidade central para a atividade e evolução deste setor, sendo a utilização de materiais sustentáveis um dos principais pontos de avaliação do Mind Shoe Design Contest. As inscrições para a primeira fase do concurso decorrem até 31 de janeiro de 2023.