Joana Santos – InsidherLand

 

Criada por Joana Santos Barbosa, a InsidherLand é uma marca portuguesa de design de autor. Fale-nos um pouco sobre a criação da marca.

Tendo-me licenciado em Arquitetura pela Faculdade do Porto e realizado o início da minha carreira nessa área, o Design existiu por alguns anos apenas no plano do desenho. Mais tarde e, após três anos de estudo e criação de uma equipa de trabalho, lancei a InsidherLand, a minha marca de design de autor e que celebra este ano a sua primeira década.

Sempre senti necessidade de ser a “proa” de um projeto meu, no qual tivesse total liberdade de expressar o meu ADN. A Insidhe Her Land é uma extensão de quem eu sou, numa impossível dissociação entre a pessoa e a criativa. É um lugar que acolhe o publico, dando-lhe a entender o conceito que motiva a criação de cada peça, algo que transcende a criação de um objeto apenas funcional.

Desde a primeira apresentação internacional na Maison&Objet em Paris em 2013, meu trabalho tem vindo a ser vendido praticamente na sua totalidade para mercados internacionais. Atualmente, mais de 95% da produção foi já exportada mais de 40 países espalhados pelos cinco continentes.

Hoje qual é o conceito da Insidherland? De que forma se apresenta no mercado?

A InsidherLand é um lugar que me permite criar peças de arte com função. Apresentada no mercado internacional como uma marca de design de autor, todas as peças são exclusivamente desenhadas por mim, tendo como base criativa uma mensagem que pretendo passar.

Sob o conceito de “sofisticação relaxada” apresento duas coleções que se complementam. A Beyond Memory é constituída por peças baseadas na natureza, lendas e culturas nativas e a Identity tem peças que resultam de influências artísticas oriundas da minha formação em arquitectura, arte e música.

Desenhados por si, o que procura criar e transmitir com os produtos da Insidherland?

Na InsidherLand, tenho como prioridade a honestidade da narrativa. Para isso, procuro dar a conhecer os conceitos que originam cada peça e, desta forma, tenho alcançado um público que, além de valorizar a alta qualidade do Made in Portugal, reconhece o valor acrescentado e singularidade intrínsecos ao meu design.

Em que se inspira diariamente?

O processo criativo é sempre intuitivo e resulta das minhas memórias e lugares que valorizo. O nascimento de uma nova peça pode resultar de uma paisagem, um edifício ou simplesmente um pequeno detalhe que me capta a atenção. Pelo contrário, pode também ser um processo que revisita uma memória antiga. Em ambas as situações, quando uma nova ideia aparece, ela automaticamente se materializa na mente com a sua forma e função sem que seja necessária uma intervenção racional da minha parte.

Por exemplo, o espelho do Arizona é uma referência ao ‘The Wave’, uma formação rochosa única nos Estados Unidos. Conheço aquela paisagem há muitos anos e, no entanto, um dia vi uma fotografia desse lugar num determinado angulo que “despertou” uma interpretação imediata. As curvas do espelho Arizona ficaram definidas logo no primeiro esquisso, sendo todo o processo criativo quase reduzido a um gesto.

A poltrona Niemeyer II venceu o Gold Design Award na categoria Furniture Design no A’Design Award Competition, um dos maiores e mais influentes prémios de design do Mundo. Fale-nos um pouco mais sobre esta peça.

A Niemeyer II é uma Statement Piece de influências modernistas. As formas arredondadas da poltrona recriam detalhes arquitetónicos que encontramos na Casa das Canoas desenhada pelo Arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer.

O desenho da sua forma e a localização das costuras está intimamente ligado ao movimento curvo da cobertura plana da casa que graciosamente recua para “emoldurar” um grande rochedo. O trabalho de estofo é minucioso, de modo a que esse movimento da cobertura seja recriado na localização das costuras quando olhado do ponto de vista aéreo.

O estofo é realizado num bouclé especial, que acolhe as pessoas num gentil abraço.

O que significa para si, e para a marca, esta distinção a nível mundial?

Para mim, os prémios são motores de reflexão e crescimento interno. Tenho feito um caminho no design que se caracteriza um pouco pela “solidão” criativa, no sentido em que sempre me senti outsider pois tenho um percurso muito próprio e com pouca ligação ao Design puro e duro.

Sinto-me muito feliz por perceber que não só eu amo o que coloco no mundo e os clientes da InsidherLand adoram as peças que adquirem, mas também por ter a possibilidade de chegar a Portugal com um prémio e levá-lo ao estúdio e às fábricas para que todas as pessoas envolvidas na produção tenham a oportunidade de sentir a valorização do seu trabalho por essa distinção. Confesso que a minha equipa celebra os prémios com muito mais entusiasmo do que eu. É bom sentir que somos uma grande família porque sem eles eu não seria ninguém.