A visão de Dina Souto Rosa no Conceito Sleep In
A visão de Dina Souto Rosa no Conceito Sleep In
Nesta entrevista, tivemos a oportunidade de conversar com Dina Souto Rosa para conhecer melhor o inovador conceito Sleep In. Durante a conversa, falámos sobre as ideias que estiveram na base deste projeto, as decisões criativas tomadas e a visão que deu origem a este espaço.
Dina Souto Rosa partilhou connosco os desafios do processo de criação, bem como os objetivos que pretende alcançar com este evento.
Através desta entrevista, ficamos a conhecer não só os detalhes do Sleep In, mas também as possibilidades que este conceito traz para o design de interiores, promovendo uma nova forma de pensar e viver os espaços.

Como surgiu a ideia do Sleep In e qual foi a principal motivação para a criação deste evento?
A ideia do Sleep In surgiu em 2016 face ao desaparecimento dos eventos semelhantes que existam até alguns anos antes e tornava-se imperativo que houvesse novamente uma exposição onde os profissionais pudessem estar visíveis ao público num formato (a meu ver) melhorado. Tendo tido oportunidade de visitar os eventos anteriores e como jornalista da área, tinha conhecimento do que satisfazia e do que era esperado e em que medida eram correspondidos os resultados de cada um.
Todavia, não queria de forma alguma que o Sleep In surgisse apenas para colmatar esse vazio deixado pelos eventos anteriores. A ideia foi tornar um produto diferente, e reposicioná-lo com base no desenvolvimento económico, imobiliário e turístico do país. Uma das novas realidades, é que o sector hoteleiro crescia a olhos vistos tal como o investimento estrangeiro no imobiliário. Daqui, percecionei uma nova fase no quotidiano dos designers e arquitetos de interiores. Os novos clientes, e os mais apetecíveis, eram os estrangeiros que adquiriam casas e recorriam aos decoradores para projetos integrais. Eram e são a maioria. Felizmente Portugal está bem preparado para oferecer todas as soluções, quer em materiais quer em serviços.
Assim, surge a ideia do Sleep.
Qual é a visão central do Sleep In e como ela se reflete na forma como o evento é organizado a cada edição?
A visão central do Sleep In pretende refletir sobretudo a diversidade e a qualidade do setor, tornando-se uma mostra dinâmica a cada edição, através de profissionais habilitados e reconhecidos. Por outro lado, alavanca marcas nacionais ou estrangeiras a penetrarem no mercado através de quem as prescreve.

O que torna o Sleep In único em relação a outros eventos?
A alma! A alma que os ambientes ganham com as histórias que são inerentes e que os designers e arquitetos interpretam de forma exemplar. Por outro lado, o espírito Sleep In. É difícil explicar mas é algo que quem participa entende e sente. E quem visita também o percebe.
Como é que o Sleep In evoluiu ao longo dos anos, especialmente no que diz respeito ao envolvimento do setor e à atração de público?
O Sleep In tem-se pautado por um padrão de qualidade exigente. Não é uma mera mostra. No Sleep In, é exigido aos participantes a presença, o contacto com o visitante, a abertura de espírito. Não há vedetismos. Há estilos diferentes, respeito e muita consideração do trabalho de uns e de outros. Há entreajuda. Essa é a grande diferença. Qualquer comportamento desviante, não é bem-vindo. O visitante quer atenção, o sponsor quer que os seus produtos sejam explicados, e o profissional (arquiteto ou designer de interiores) quer aumentar o seu círculo de potenciais clientes. Tudo isto só se faz … comunicando. Mas não da forma tradicional de roll ups ou etiquetas. Esse sistema só faz ruído e não apela aos sentidos.
Quais foram as conquistas ou momentos do Sleep In que considera mais marcantes até hoje? Alguma história especial?
A maior conquista do Sleep In é a confiança por parte dos expositores. Edição após edição, repetem-se as participações. Tenho alguns, como a Cristina Archer, o Rui Maciel entre outros que “fazem parte da mobília”. Só por motivos de força maior não participam numa edição, e da mesma forma o mesmo se passa com sponsors. Todavia, sinto que há espaço para crescer um pouco mais, dando oportunidade a mais participantes e outras marcas estarem presentes.
Cada edição do Sleep In tem um tema diferente. Como são escolhidos esses temas e em que histórias ou conceitos se baseiam?
A partir da 3.ª edição, que foi realizada na Escola 85, no Passeio Alegre, dada a tipologia do edifício, optei por a nomear de Hotel Edition permitindo que o edifício fosse abordado como um boutique hotel e assim os espaços fossem distintos das funções habituais que obrigatoriamente remetiam para dormidas. Aqui houve uma loja, um spa, um lobby, uma receção, uma sala de pequenos-almoços, um bar e biblioteca, uma cozinha que servia um hóspede residente, e 5 quartos. A partir daqui seguiu-se a Love Edition no Mosteiro da Serra do Pilar, onde todas as histórias das personagens eram baseadas nas várias formas de amor (do amor próprio, ao amor vadio, passando pelo amor à fama, ou de perdição), a Corruption Edition no Colégio Militar em Lisboa , histórias de corrupção plausíveis em todas as áreas, embora inventadas e por último a Royal Edition no Palácio Silva Monteiro no Porto, onde as personagens remetiam para a nobreza numa perspetiva mais aproximada do comum ou noutros casos mais extravagante.
A criação de personagens, em todos os Sleep In, deriva sobretudo da necessidade de assumir a globalização, a mobilidade, o intercâmbio cultural cada vez mais acentuado, e o que advém daí. Por outro lado, se for possível personalizar à medida de cada cliente, teremos um valor acrescido no que quer que tenhamos para lhe oferecer. E isso, é no fundo o que o Sleep In quer transmitir. Adaptação, versatilidade e simultaneamente exclusividade. Todos iguais, mas todos diferentes.
A criação das personagens, são inputs que recebo por observação da sociedade. Confesso que me divirto muito a escrevê-las, mas que dão bastante trabalho pois tem uma base de pesquisa, ainda que não se aperceba.
Que balanço faz da última edição do Sleep In?
O Sleep in Royal Edition, a última edição, marca o regresso do evento após 3 anos de interregno. Em 2020 estava previsto haver uma edição em Lisboa e outra no Porto. Inauguraríamos a 20 de Março a Corruption Edition e entramos em confinamento a 11 de Março. O evento veio a realizar-se em Maio de 2021…. mas ainda com normas bastante apertadas. Assim, esta última edição, que correu muito bem e surpreendeu os visitantes, apresentando-se num sítio muito bonito, tem uma importância acrescida e sem dúvida um balanço muitíssimo positivo.

O que podemos esperar da edição de 2025? Já há datas e local? Há novidades ou surpresas planeadas para os visitantes?
Em 2025, o Sleep In Instagram Edition vai realizar-se no mesmo n da rua da Restauração mas noutro espaço e será de 15 a 25 de Maio. Já há nomes confirmados como Rui Maciel, Ana Paiva, Fabbian Pellegrinet, Paula Franzini, Sete Chaves (Patrícia Nascimento da Fonseca e Maria Joao Carneiro), Geotoni ( Antônio Aroso e Geovani Prado), Dama de Paus (Sónia Vieira de Carvalho) e outros que aguardo confirmação.
Todavia é possível que este ano aumente o número de participantes dados os pedidos recebidos e em análise.
Desta vez, as personagens não serão inventadas. São reais e estão a ser meticulosamente escolhidas atendendo aos perfis e particularidades que apresentam de forma a garantirem por parte dos profissionais, abordagens de espaços distintas entre si.
Está previsto a apresentação e lançamento do Sleep In coffe table book que reunirá todas ediçaões da mostra e será sem dúvida uma referência.
Quais são os objetivos principais para a edição de 2025 em termos de visitantes, parcerias ou experiências?
De acordo com o tema, a ideia de 2025 será ter uma edição muito instagramável levando os visitantes a fazer uso dos ambientes e os parceiros a usufruir dessa dinâmica.Para além disso, este ano o Sleep In gostaria de incluir alguns debates/colóquios sobre temas incontornáveis no desenvolvimento do setor.
