Resultados de vendas de mobiliário no mercado francês em 2025

Resultados de vendas de mobiliário no mercado francês em 2025

Em retração desde 2022, o mercado francês do mobiliário registou mais um ano de queda nas vendas em 2025 (-1,8% face ao ano anterior), totalizando 13,6 mil milhões de euros. Apesar da trajetória descendente, começam a surgir sinais claros de estabilização e de preparação para uma fase de retoma, com o segmento da cozinha e o retalho especializado a assumirem-se como motores desta dinâmica.

Segundo o estudo recentemente publicado pelo Institut de la Maison, após quedas de -2,5% em 2023 e -5,1% em 2024, o mercado recuou “apenas” 1,8% em valor em 2025, o que corresponde a uma perda de cerca de 250 milhões de euros. Trata-se de um regresso a níveis próximos de 2019 (13,4 mil milhões de euros), interpretado pela associação como um sinal de estabilização após dois anos de crise, num mercado tradicionalmente cíclico. A mudança verificou-se sobretudo no segundo semestre: depois de um primeiro semestre em que as vendas caíram 4%, o segundo registou um ligeiro crescimento (cerca de +0,5%), com cinco meses consecutivos de desempenho positivo entre julho e novembro.

A cozinha é o único segmento em crescimento, com +2% em valor e um volume de negócios estimado em cerca de 3,8 mil milhões de euros, beneficiando de fortes campanhas de comunicação e de uma procura sustentada por cozinhas integradas. O “meuble meublant” (mobiliário de sala, arrumação, etc.) continua a ser o principal segmento em valor (cerca de 32% do mercado, equivalente a 4,3 mil milhões de euros), mas apresenta o pior desempenho, com uma quebra de -4%. O aumento das vendas em segunda mão, as novas tipologias de habitação (com a popularização das cozinhas integradas) e o recuo da natalidade — com a consequente queda na venda de móveis para quartos de bebé — são alguns dos fatores apontados pela associação. Os artigos de cama recuam 2,7%, depois de terem sido um dos segmentos mais dinâmicos em 2023–2024, apesar de bom desempenho nas gamas de maior dimensão (160 cm e superior). Segmentos como o mobiliário de jardim e de casa de banho também registam quedas (-3,8% e -3%, respetivamente).

O retalho especializado é o único circuito em crescimento, com +1,6%, impulsionado sobretudo pelos especialistas de cozinha (+4,6%) e pelos especialistas de artigos de cama, beneficiando da abertura de novas lojas. A grande distribuição (Ikea, Conforama, But, Maisons du Monde, Alinéa, entre outros) está em retração (-2,7%), penalizada pela quebra do “meuble meublant”. As cadeias de média/alta gama registam o maior recuo entre os circuitos (-3,8%). Os pure players de e-commerce de mobiliário também apresentam diminuição (-3,4%), pressionados pela concorrência dos sites das marcas com lojas físicas e pela entrada de novos discounters asiáticos, como Temu e Shein.

As perspetivas para 2026 apontam para uma retoma progressiva das vendas, sobretudo tendo em conta os sinais vindos da construção e do imobiliário. Os dados mais recentes indicam um aumento significativo dos principais indicadores, com as autorizações de construção a crescerem 13,5% e os arranques de obra quase 28% em outubro de 2025, embora ainda em níveis historicamente baixos. Esta dinâmica, combinada com a estabilização do poder de compra — inflação mais controlada, taxas de juro em descida e recuperação das transações no imobiliário usado — deverá traduzir-se num reforço gradual da procura de mobiliário associado a mudanças de casa, renovações e reequipamento de cozinhas e zonas de dia.

Para as empresas portuguesas, as oportunidades mais interessantes surgem onde estes movimentos se cruzam com tendências estruturais do mercado francês: mobiliário de cozinha integrada e soluções de arrumação à medida para tipologias mais compactas; artigos de cama e assentos de gama média-alta orientados para conforto e bem-estar; móveis funcionais, leves e modulares adaptados a espaços abertos e de menor dimensão; e propostas com forte ênfase na sustentabilidade e rastreabilidade, capazes de se diferenciar dos discounters asiáticos e captar o interesse do retalho especializado, atualmente o canal de venda mais dinâmico.