José Ferraz : Preocupações…

A preocupação é uma resposta humana natural diante de desafios, incertezas e injustiças que ameaçam o bem-estar individual e coletivo. Quando algo nos preocupa, somos, inevitavelmente, afetados, mobilizando pensamentos e ações.
Porque me preocupo, decidi escrever este pequeno texto de partilha com os meus leitores.
O que preocupa implica e, sinceramente, não me sinto muito tranquilo com aquilo a que assisto diariamente no Mundo, em Portugal e no mercado em que me movo.

A guerra preocupa, porque é a expressão mais trágica do conflito humano. Ela implica não somente destruição material, mas também e mormente a perda de vidas, de sonhos e de dignidade. A guerra abala as bases da convivência e cria um ambiente onde o medo e a violência predominam. Ela fere o tecido social, deixando cicatrizes profundas, que não se apagam com o fim das batalhas. A guerra deve preocupar e impor a busca de soluções diplomáticas e pacíficas, instigando a humanidade a questionar-se sobre a necessidade de uma nova ética global de convivência entre diferentes credos, raças e géneros.
A falta de ética preocupa, porque corrói os alicerces da confiança e da justiça. Quando a moralidade se dissolve, a sociedade adoece. A falta de ética em instituições, governos ou relações interpessoais cria um ambiente de desconfiança, onde a verdade se torna relativa e a integridade, opcional.
O impacto disso é a fragilização dos valores que sustentam uma convivência justa e solidária. A preocupação com a ética é, portanto, uma procura por responsabilidade e por uma atuação mais consciente de cada indivíduo dentro da sua comunidade.
Empresarialmente preocupa-me a falta de ética, a ganância, a desinformação, as práticas enganosas e a mentira. Entendo, desde sempre, enquanto pessoa e empresário que é possível fazer negócio sem nunca fazer perigar a ética, a moral e os bons costumes, salvaguardando, assim, as boas relações de convivência entre empresas e empresários, mesmo que sejam concorrentes.
A concorrência desleal desvirtua a essência do esforço e do mérito. Quando práticas injustas predominam, a igualdade de oportunidades desaparece. Quem trabalha de maneira honesta vê os seus esforços desvalorizados e quem age sem escrúpulos, muitas vezes, obtém vantagens ilícitas, transformando as práticas comerciais em guerras. Esse desequilíbrio cria uma sensação de impotência e injustiça, prejudicando um desenvolvimento económico saudável e a desejável coesão empresarial.
Ética empresarial exige-se, em nome do bem das empresas e de uma sociedade mais ética e equilibrada.
Preocupa-me também a crescente desigualdade social, sobretudo porque a destruição da classe média tem sido exponencial. As pessoas vivem pior, o dinheiro perde velocidade de circulação, ficando concentrado em “meia dúzia”, empobrecendo os mais débeis e enriquecendo escabrosamente os mais ricos que, em alguns casos, parecem não terem limites para a sua ganância e soberba.
Preocupa-me, na mesma linha de pensamento, a dificuldade de acolhimento e integração da comunidade imigrante, que tanta falta faz ao desenvolvimento económico de Portugal.
É fundamental que não esqueçamos que quando as desigualdades se acentuam, se geram divisões profundas, alimentando a exclusão social e perpetuando ciclos de pobreza difíceis de romper. Tal, não afeta apenas os mais vulneráveis, mas todo o tecido social, criando um ambiente de insegurança, instabilidade e desconfiança.
A desigualdade social, que tende a acentuar-se com o crescimento da população imigrante (mais de 800 000 nos últimos sensos), exige uma resposta urgente e integrada para redistribuir oportunidades, garantir a subsistência e o mínimo de dignidade para todos.
Um país que integra de forma célere e adequada os seus imigrantes, oferecendo-lhes condições justas de trabalho e oportunidades de educação, proporciona às empresas a oportunidade de contratação de recursos mais estáveis e diversificados.
Por outro lado, uma comunidade empresarial mais ética, mais limpa de práticas desonestas, de mentira e de ambientes de guerrilha favorece um tecido empresarial mais forte, criador de melhor e mais sustentável emprego e ajuda ao florescimento de uma sociedade mais moderna, dinâmica e justa.
Uma reflexão final:
Não devemos desvalorizar o que é nosso! Sendo uma sociedade aberta, alguns tendem a valorizar o que vem de fora, desvalorizando o que se faz cá dentro e que, na realidade, é, frequentemente, melhor do que o que vem de fora…
A isso, de forma frequente, às faltas de ética se juntam práticas desonestas de guerrilha, mentindo e lançando boatos, geradores de animosidades entre pares. É esta, na minha opinião, uma lamentável prática comercial, muito ultrapassada e pouco inteligente…

Portugal e os empresários portugueses merecem mais.
Muito mais!