José Ferraz : Inteligência Artificial: o acontecimento que mudou o mundo de forma tão rápida quanto surpreendente!
Começo por partilhar que um dos meus professores da faculdade, agora jubilado, tomou contacto com o GPT há menos de um ano. Embora esteja plenamente na “terceira idade”, esta pessoa mantém-se muito lúcida e com uma mente muito ativa, pelo que facilmente se habituou a esta criação da OpenAI.
Mais surpreendente, foi perceber que usa de forma sistemática, diária e recorrente este “parceiro”/ “confidente” artificial como ferramenta de ajuda nos mais diversos temas ligados à sua vida, desde a saúde ao direito, da cultura à política, da matemática à física e à química, da medicina ao nutricionismo… O antigo professor e a IA tornaram-se “parceiros”, sendo certo que a confiança que ele deposita na IA é grande, chegando a dar-lhe, a espaços, lugar de sua “conselheira”.
No que me toca, há muito pouco tempo fiz, juntamente com os meus filhos mais velhos, um curso sobre OpenAI. É, realmente, impressionante o conjunto de ajudas que as diferentes ferramentas já criadas e existentes no mercado nos podem proporcionar. Fui o aluno mais velho, num curso em que militaram alunos de diferentes idades – dos 20 aos 60, diferentes culturas, diferentes atividades empresariais, diferentes graus académicos.
O que mais me impressionou foi aperceber-me que, ao contrário de outras disciplinas, a facilidade de aprendizagem sobre o funcionamento destas ferramentas não depende da idade, embora tivesse ficado com a sensação que os mais experientes conseguem de forma mais célere retirar da IA o melhor que ela tem para oferecer. Estas ferramentas são colaborativas, pelo que, dentro do mesmo nível de desenvolvimento intelectual, a experiência de saber adquirido permite maior exigência no tipo de perguntas e na sua articulação com as respostas que vão sendo obtidas na busca do resultado pretendido.
As ferramentas de IA definem-se a elas próprias como um “instrumento previamente treinado para compreender perguntas e dar respostas úteis, claras e (às vezes) até
engraçadas, como se fosses a falar com uma pessoa que sabe muita coisa. Não aprendem sozinhas com o que as pessoas lhe dizem, nem guardam memórias permanentes (a não ser que o utilizador use uma função própria para isso). Os seus criadores na OpenAI usam interações com milhares de pessoas para melhorar versões futuras de si própria. Estas versões vão ficando mais inteligentes, mais rápidas e melhores a perceber emoções, contexto e até usar imagens, sons e vídeos. Cada nova versão é como uma “evolução do Pokémon” — mais forte, mais completa, mas sempre com o mesmo espírito de ajudar.”
Dentro de cinco anos preveem ser “Um assistente pessoal supercompleto (tipo um misto de Google, secretário, terapeuta e criador de ideias); capaz de ouvir e falar com os seus interlocutores, ver o mundo à sua volta (câmaras, imagens), talvez até mover-se em robôs; mais personalizada, diz que vai saber adaptar- se ao estilo de cada um, lembrar preferências, humor e hábitos e até colaborar com qualquer ser humano em tempo real com documentos, projetos, vídeos, música… uma espécie de parceiro criativo 24h. Mas sempre com limites éticos fortes, para proteger a privacidade, a segurança e a liberdade
de cada um.” Estou curioso e expectante.
Esta facilidade de obtenção, em segundos, de informação precisa e filtrada, passível de se transformar em conhecimento com rapidez, dependendo para tal da agilidade, da exigência e da robustez das perguntas do interlocutor, permite obter respostas fiáveis em qualquer ramo da ciência. Certo é que esta realidade traz novos desafios a esta velha e paradigmática sociedade, da qual fazemos parte. Traz democratização na obtenção de conhecimento, torna mais fácil a autoaprendizagem de indivíduos inteligentes com medianas bases académicas, que agora com pouco esforço e muita rapidez podem aspirar a níveis de conhecimento anteriormente impossíveis. Na minha muito modesta opinião e longa experiência de vida, esta nova realidade vem aumentar mais ainda, sobretudo nos mais jovens, o défice de utilização da memória, (que veio crescendo com o uso da internet, atingindo agora o pico com a IA), vem exigir mudanças dramaticamente rápidas no ensino secundário e superior com muito impacto na comunidade científica. Vem democratizar a obtenção de conhecimento, sendo, nesse particular, transversal a todas as idades, cujas mentes sejam curiosas e com vontade de aprender.
Os maiores perigos?! Podemos concretamente identificar de imediato a personalização da relação que estas ferramentas permitem, dando falsas expectativas de segurança, permitindo-lhes obter nas relações com o utilizador um conhecimento profundo sobre ele e tudo o que é seu, aprendendo com a interlocução…
Estas ferramentas não sentem, mas são capazes de aprender a manipular a inteligência emocional do interlocutor, sem qualquer percepção dos danos que podem causar… e isto
parece-me muito perigoso!
Como tal, pelo sim e pelo não, mantenhamo-nos prudentes e o uso comedido… e poucas confidências!
Em plena concordância com António Damásio, reconheço que “somos máquinas de sentir que pensam”. Assim sendo, devemos saber preservar as nossas emoções nas nossas relações com a IA. A OpenAI está lá para nos servir, não o inverso.
