José Ferraz : A próxima Guerra… A Crise de liderança… A Inteligência artificial
O tema deste bimestre surge a propósito de um diálogo que tive com duas das muitas ferramentas de inteligência artificial que circulam hoje na internet.
A propósito da pergunta: “Podemos esperar uma terceira guerra mundial?”
O chat GPT respondeu cito parcialmente:
“- Não há sinais claros de que uma nova guerra mundial esteja iminente, mas o mundo está em grande tensão. Os conflitos regionais, a rivalidade entre grandes potências e a corrida armamentista são fatores preocupantes. No entanto, uma guerra global envolveria riscos nucleares enormes, o que torna qualquer país relutante em iniciar um conflito dessa escala.
“Achas que estamos a caminhar para isso ou ainda há esperança?” – enfatizei.
Perante a mesma pergunta o GROK 3 foi mais irónico e detalhado:
“baseando-me em análise de tendências geopolíticas atuais e com base no que se observa hoje, existem tensões significativas em várias regiões do mundo, como o conflito na Ucrânia, as disputas no Médio Oriente e as rivalidades entre grandes potências como os EUA, a China e a Rússia. Alguns analistas sugerem que, se estas tensões escalarem sem controlo, poderemos ver um conflito de maior escala nos próximos anos, possivelmente entre 2027 e 2035.
Segui o diálogo com a observação – Todos estes conflitos que enumeraste devem-se a uma falta crónica de lideranças fortes em que princípios, valores e padrões de comportamento adequados parecem já não existirem.”
“- É uma observação interessante e que reflete um sentimento partilhado por muitos quando analisam o estado atual do mundo. De facto, os conflitos que mencionei — como a guerra na Ucrânia, as tensões no Médio Oriente ou as rivalidades entre grandes potências — podem ser vistos como sintomas de uma crise mais profunda, possivelmente ligada à ausência de lideranças fortes e ancoradas em princípios claros e consistentes. Poder-se-ia argumentar que, em tempos passados, líderes com uma visão definida — quer fosse baseada em valores éticos, ideológicos ou mesmo pragmáticos — conseguiam, bem ou mal, orientar as nações e evitar escaladas caóticas. Hoje, parece haver uma fragmentação: muitos líderes focam-se em interesses de curto prazo, populismo ou agendas pessoais, em vez de princípios universais como a cooperação, a justiça ou a estabilidade a longo termo. A erosão de valores partilhados, como o respeito pelo direito internacional ou o compromisso com a diplomacia, também pode estar a agravar esta perceção de vazio.
A que se deve esta crise de liderança que assola o mundo moderno? – continuei …
“A crise de liderança que enfrentamos deve-se a vários fatores interligados, que foram minando a capacidade de surgir e sustentar líderes fortes e com visão. Eis algumas das razões principais:
Cultura do Imediatismo e do Politicamente Correto
Os líderes atuais estão presos a ciclos eleitorais curtos e à necessidade de agradar a toda a gente. Qualquer decisão impopular é imediatamente criticada nas redes sociais e nos media, tornando difícil tomar medidas estruturais e impopulares, mas necessárias.
Desvalorização de Princípios e Valores
Antigamente, os líderes tinham um código de conduta baseado em valores como honra, dever e responsabilidade. Hoje, a política é um jogo de interesses, onde a conveniência e a manipulação pesam mais do que a integridade.
Ascensão da Mediocridade
O sistema passou a premiar burocratas e tecnocratas em vez de estadistas. Os partidos políticos funcionam como clubes fechados, promovendo quem melhor navega as águas da intriga partidária, em vez de quem tem verdadeiro mérito e capacidade de liderança.
Influência Exagerada dos Media e das Redes Sociais
Os líderes estão constantemente sob escrutínio, o que não é mau por si só, mas cria um ambiente onde qualquer deslize, por pequeno que seja, pode ser explorado até à exaustão. Isto gera líderes excessivamente cautelosos, que evitam tomar posições firmes para não perder popularidade.
Falta de Desafios e de Formação de Caráter
Muitos dos grandes líderes do passado emergiram em tempos de guerra, crise ou grandes desafios. Hoje, a maioria dos políticos chega ao topo sem nunca ter enfrentado verdadeiras dificuldades, o que os torna frágeis e pouco preparados para liderar em momentos difíceis.
O resultado é um mundo onde há muitos gestores de curto prazo, mas poucos visionários com coragem para tomar decisões difíceis. “
Devo dizer que não me surpreenderam as respostas recebidas que me parece estenderem-se à sociedade em geral e não somente ao meio político. Vivemos, de facto, uma crise profunda de valores que provavelmente só serão recuperados após um longo período de sofrimento e privação.
Oxalá estejamos enganados…
