Casa da Marginal

 

Voltada para a foz do rio Cávado e para o forte setecentista de S. João Batista, na cidade de Esposende, a casa da marginal surge da vontade de uma jovem casal de reabilitar uma moradia geminada com dois pisos, abandonada há mais de 20 anos. A casa originalmente desenhada pelo arquiteto Viana de Lima, faz parte de um conjunto de 8 pequenas casas geminadas com carácter de veraneio que, apesar de fortemente desvirtuadas face ao desenho inicial, apresentam ainda alguns traços do modernismo original. O desafio consistiu em desenhar uma casa de praia, informal, flexível, que estabelecesse uma forte relação com o sítio e ao mesmo tempo respeitasse a preexistência. O estado do edifício, assim como a reduzida dimensão tornou inevitável a necessidade de ampliação do conjunto, tanto ao nível do piso térreo como do andar. No r/c a solução de ampliação passou pela ocupação total do terreno a tardoz (Nascente) e a criação de dois pátios que resgatam a luz para o interior dos novos espaços. No primeiro piso, a necessidade de ampliação levou-nos à reinterpretação da solução midcentury da cobertura asa de borboleta, ampliando parcialmente o piso para nascente. A casa tem uma orientação Nascente Poente expondo todas as divisões para a foz do rio Cávado e o seu encontro com o Atlântico. Por tal motivo foi impossível resistir à tentação de aumentar os vãos originais. Abrindo a fachada criou-se uma interpenetração quase absoluta entre o interior e o exterior, trazendo o mar para dentro de casa. Pelo carácter de segunda habitação que se pretendia para a casa, o programa foi
desenvolvido com enfoque nas áreas sociais, assim, todo o piso terreno desenhou-se por forma que todos os espaços comunicassem entre si, cozinha, sala de estar/jantar, wc e quarto de visitas, evitado corredores ou antecâmaras. O primeiro piso alberga apenas a suíte principal, a qual através de um grande vão horizontal comunica visualmente com o mar.