À conversa com Inés Abramián

À conversa com Inés Abramián

Desde cedo percebeu que a arquitetura era uma paixão. A criança que outrora fazia pequenas construções depressa se tornou uma arquiteta conhecida e respeitada. Inés Abramián estudou na Argentina, tendo passou pelos Estados Unidos. Estabeleceu-se na Sardenha, em Itália e acredita que o foco principal da arquitetura é o Ser Humano.

Como é que começou a sua carreira enquanto arquiteta?

Eu cresci num ambiente onde a cultura do design era altamente respeitada. Paralelamente a isso, quando era pequena, o meu brinquedo favorito era um conjunto de tijolos que eu usava constantemente para construir casas. A casa dos meus pais em Buenos Aires foi projetada por arquitetos e designers de interiores, daí ter sido muito natural para mim estudar arquitetura. Depois da minha formação comecei a trabalhar na Argentina e a minha curiosidade pela arquitetura tem crescido constantemente e posteriormente a minha experiência nos Estados Unidos foi muito enriquecedora, tendo adquirido uma visão ampla sobre a arquitetura e mais tarde estabeleci-me na ilha da Sardenha, em Itália.

Qual a sua maior fonte de inspiração?

É muito gratificante ser inspirada pelas pessoas para quem trabalho. Tudo começa com a observação. Gosto de pensar que temos sempre uma folha branca de papel para desenhar. Ao ouvir as pessoas e os clientes e toda a atmosfera envolvente, tento perceber a mensagem, respeitando valores culturais e hábitos naturalmente intrínsecos.

Qual o maior desafio que encontra diariamente enquanto arquiteta?

Hoje em dia é preciso fazer uma leitura diferente das necessidades culturais e dos valores. Transversalidade, velocidade, leveza, horizontalidade, densidade, relações, movimentos, trânsito. Como arquiteta devo ser capaz de expressar essas qualidades, é a única opção a escolher, de maneira a conseguirmos um mundo melhor. Não falo sobre beleza, pois essa é subjetiva; prefiro falar de qualidade como se de um ciclo de vida se tratasse, questão de tempo, de performances, de relacionabilidade. O mundo está a passar por tempos difíceis e os arquitetos podem marcar a diferença: habitações sociais, espaços públicos, planos urbanísticos e territoriais, energias renováveis, design de interiores, robótica, paisagismo.

As tendências existem por todo o lado, até na arquitetura. Na sua opinião, quais as tendências para este ano de 2019?

Acredito que os próximos anos serão definitivamente orientados para reestruturar a nossa visão em relação à interpretação do nosso quotidiano, que será marcado por processos que nos farão comunicar através de um objeto arquitetónico ou um espaço interior, uma área pública ou uma estrutura efémera. O ser humano será sempre o foco principal da arquitetura, mas as circunstâncias mudam constantemente.

Ainda no seguimento da pergunta anterior, o que é intemporal, dentro desta área?

As estruturas arquitetónicas terão que se adaptar e terão que ser moldadas como se de um fato feito à mão se tratasse, de uma forma dinâmica. Por outro lado, também penso que a arquitetura intemporal está relacionada com um gesto neutro, uma circunstância básica num momento gracioso, como uma simples palavra ou frase que não pode ser mal compreendida pela sua simplicidade e clareza de significado.

Há uma complementaridade em ser arquiteta e designer de interiores? Qual?

Sendo arquiteta, é impossível não pensar em espaços interiores. Trabalhar com detalhes construtivos, mobiliário ou tetos faz parte de todo o processo da composição. O exercício de imaginar espaços, que ainda não existem, faz parte do trabalho. O design em si é a ferramenta do arquiteto. “Fazer” design é a linguagem. Às vezes, o processo de design envolve também outras coisas para além dos interiores.

Conhece o mercado português? O que pensa sobre ele?

Na arquitetura portuguesa aprecio o forte sentido de tradição e identidade que é transmitido através da linguagem contemporânea. Portugal tem uma relação única com o oceano, o que faz com que exista um diálogo entre as cidades e a água. Eu poderia apreciar o design português numa vasta gama de produtos de interiores, e acho que eles estão alinhados com outros produtos europeus, mas ainda assim, as peças artesanais são o que tornam o mercado único.

Que tipo de projetos trabalham mais? Residencial ou Hoteleiro?

Eu trabalho principalmente em projetos residenciais, embora esteja pronta para novos desafios.

Enquanto profissional, sabemos que há uma preocupação com o meio ambiente. A sustentabilidade, está a crescer nesta área?

Sim, há um interesse crescente no campo da sustentabilidade, desde os produtores até à entrega de material ou processos de reciclagem. Tudo isto está relacionado com a consciencialização de que o nosso planeta não é uma garantia. A arquitetura sustentável tem a ver com a correta composição e correta execução dos edifícios, desde a conceção até às instalações.

Que distinção enquanto arquiteta e/ou designer de interiores guarda para sempre?

O prémio de arquitetura que recebi do “La Nación da FAU-Unesco” em Buenos Aires, alusivo ao tema “Habitat of the Future”. Para mim foi um reconhecimento significativo.

Perspetivas para o futuro? Algum projeto novo a caminho?

Neste momento estou envolvida num projeto de habitação e hotelaria. Paralelamente, sou responsável por uma exposição de arte em espaços de trânsito. Olhar para as coisas de um ponto de vista diferente, permite-nos ter uma outra perspetiva e eu gosto de pensar que os hotéis são como uma casa temporária, um espaço de trabalho ou um museu “vivo”.

 

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