Paularte exibe Projecto Martins na Casa da Arquitectura em Matosinhos

Paularte exibe Projecto Martins na Casa da Arquitectura em Matosinhos

O Projecto Martins da Paularte nasceu para desenvolver a produção de mobiliário de autor. Nuno Miguel Borges criou o projeto em 2007 e diversos arquitetos portugueses tem sido convidados para desenharem mobiliário. A exposição vai estar na Casa da Arquitectura nos próximos três meses. 

 

 

As peças do Projecto Martins

 

Cadeira Pené

É a primeira cadeira do Projecto Martins e foi desenhada pelo arquitecto Pedro Ramalho. “A ideia inicial era fazer uma cadeira relativamente reduzida e empilhável para o meu projecto de renovação do Teatro Valadares, em Caminha. A cadeira não foi utilizada no projecto e o desenho acabou por evoluir lentamente para uma cadeira de mesa de grande comodidade desenvolvida para o Projecto Martins” explica o arquitecto.

 Um dos aspectos que mais deteve Pedro Ramalho na fase do desenho foi a posição dos braços. “A ideia de que o braço em descanso deve ter aquele tipo de inclinação. Estudei bastante e foram feitos vários exercícios por forma a que os braços descansassem em cima dos braços da própria cadeira.”

 A  Pené é fabricada em carvalho, uma madeira nobre, com grande resistência e um envelhecimento agradável: vincando o veio da madeira e ganhando um oxidado na sua tonalidade clara que a torna muito atraente.  

 

Nome: Pené

Autor: Pedro Ramalho

Dimensão: 800x500x578

Materiais: carvalho e ecopele

 

Byo-Bu

O Byo-Bu é um biombo desenhado pela arquitecta Luísa Penha que junta madeira de tola com um tecido ancestral português – o burel da Serra da Estrela. A concepção do biombo do Projecto Martins é resultado de uma circunstância feliz. “Precisava de um biombo para uma obra, e tinha encontrado um tecido numa viagem que tinha achado interessante usar. Na primeira oportunidade, juntei o útil ao agradável, e foi assim que escolhi esta peça para o Projecto Martins” explica a arquitecta.

“No desenho da peça em si foi sempre o meu objectivo que fosse um módulo, que se podia associar, e que por isso tem aquela prisão. Depois estudei a peça e simplifiquei até chegar a uma forma mínima. No fundo é um processo normal de projectar uma casa, um prédio, um biombo, ou outra coisa qualquer. É resolver um problema. É ter uma necessidade e resolver um problema”.  A madeira escolhida foi a tola, que Luísa Penha achou a indicada para a peça: não é muito pesada e é boa para mobiliário com pouco desgaste.

O biombo Byo-Bu é lançado em duas versões em 2017: uma com um painel em burel amarelo canário e dois em amarelo torado e outra com os três painéis com tecido de cor verde néon.

 

Nome: Byo-Bu

Autora: Luísa Penha

Dimensão: 1620x2680x50

Materiais: madeira de tola e tecido burel

 

UEA (“Uma Espécie de Armário”)

A  UEA (“Uma Espécie de Armário”) é uma peça original do arquitecto Carvalho Araújo. “A ideia para a UEA foi o desafio que recebi para desenhar um armário. Uma tarefa ingrata pois um armário é uma caixa com portas. A forma de contrariar a situação foi fazer uma critica ao conceito de “armário” e desenhar uma nova peça. O que é um armário? Para que serve um armário?”

O resultado foi surpreendente. “Limitei as portas ao mínimo – a opção pela guilhotina é menos óbvia e remete-me para as poucas boas referências de armários: os arquivistas das repartições –, crio uma prateleira e um apoio para ser usado sem regra. Os materiais escolhidos respeitam a atitude critica e fui buscar os que no meu tempo de escola se usavam. A UEA é folheada no sentido contrário para mostrar autenticidade e foi executada com um grande rigor de marcenaria”. A produção da UEA exige muita mão de obra e altamente qualificada. Um da marcenaria portuguesa. 

 

Nome: UEA (“Uma Espécie de Armário”)

Autor: Carvalho Araújo

Dimensão: 2200x860x465

Materiais: sucupira e tola 

 

Pap

Ao desenhar a Pap, Maria Manuel Oliveira quis reinterpretar uma peça que existia nas salas ou bibliotecas para guardar livros e que era rotativa. “Eu conheci algumas bastante bonitas, e sempre pensei que era um móvel muito interessante para guardar os livros e revistas em uso e que se amontoam por todo o lado numa casa.”

 As livreiras antigas eram móveis que tinham uma escala adequada às casas da época, e eram, portanto, muito largas e baixas, com dois andares, e um desenho lateral trabalhado. “O que eu fiz não foi inventar um móvel novo mas reinterpretar uma peça, adequando-a à realidade contemporânea. Nesse sentido e pensando nas salas actuais, de uma forma geral com áreas reduzidas, a Pap diminuiu em largura e cresceu em altura, para três níveis, passando a ser mais lida na vertical do que na horizontal, como eram as antigas livreiras.”

 Na Pap, os três andares são diferenciados, uma vez que os livros e revistas têm diversas alturas. “O (re)desenho foi pensado em função daquilo que pode ser arrumar livros numa sala contemporânea; enfim, livros e não só, porque também imaginei a livreira como um móvel onde se podem recolher alguns objectos.”

 A madeira escolhida foi o pau-cetim e a panga panga. Uma madeira de cor quente, clara e uniforme para o exterior – não poderia ter um veio marcado, porque não “casariam” os lados com o topo – e uma cor muito escura para as superfícies interiores, de maneira a dramatizar as furações e conferir maior espessura à Pap, que é uma peça relativamente pequena e pouco profunda.

Apoiada sobre uma base que a faz assentar com solidez no chão, a livreira é um paralelepípedo que apenas sugere tensão quando roda. “Eu não quis um objecto muito expressivo, apetecia-me antes uma peça com sentido utilitário e discreto, que as pessoas pudessem vir a usar de forma diferenciada; tem a ver com a maneira como desenho, não gosto muito de fazer coisas ruidosas...”, confidencia Maria Manuel Oliveira.

 Nome: Pap

Autora: Maria Manuel Oliveira

Dimensão: 100x48x48

Materiais: pau-cetim e panga panga

 

Pendureiro

O Pendureiro é um suporte de roupa original, desenhado pelo arquitecto João Azinheiro e pela artista plástica Silvia Krivosikova. É um volume sem fundo, de cor violeta, vermelho e castanho, que combinadas com a forma desigual e geométrica da peça, resultam num móvel elegante e discreto. O material utilizado foi o valchromat em que as cores foram combinadas: vermelho por fora, excepto nos topos onde é violeta, e castanho por dentro. O interior é forrado por uma placa perfurada, o que permite que se consiga um efeito cénico simples mas ritmado e aconchegante. Casacos, cachecóis e bengalas, quando guardados, ficam com a parte inferior visíveis, pois o Pendureiro é aberto na base, tendo na sua utilização um efeito atraente. Num dos lados existem duas prateleiras para guardar chaves, cartas, ou outros objectos. É afixado na parede e tem uma presença sóbria, colorida e original.

 

Nome: Pendureiro

Autores: João Azinheiro e Silvia Krivosikova

Dimensão: 53x67x29 cm

Materiais: valchromat

 

Millepede

“A ideia base da Millepede obedece ao conceito de móveis esculturas que eu ando a desenvolver para a Paularte. Neste caso, é a reinterpretação de um móvel clássico com um olhar lúdico e de jogo, com um certo humor. Nesse sentido, desenhei as pernas de uma centopeia em movimento fixadas à parte superior do móvel que é uma caixa clássica” explica Virginio Moutinho. O móvel de sala tem duas gavetas e quatro portas. As madeiras foram escolhidas de forma a reflectirem duas realidades que se conjugam num objecto, em que a parte de cima tem uma madeira escura, de pau-ferro e um desenho muito cuidado, e em baixo os pés em faia mostram leveza e rapidez. “É um móvel escultura e ao mesmo tempo um móvel em movimento, está pousado mas pronto para partir para um outro sítio da sala ou da casa”.

 

Nome: Millepede

Autor: Virgínio Moutinho

Dimensão: 900x1960x450

Materiais: pau ferro, pau cetim e faia

 

Sobre a Paularte

Em 1968, no centro da cidade de Braga, João Paulo Martins abriu uma pequena oficina dedicada à talha e ao restauro de mobiliário. Numa cidade com tradição secular no trabalho da madeira, João Paulo Martins, com o seu talento e saber, foi criando peças de talha e móveis para clientes de todo o país. Em 1975, a Paularte instalou-se no actual edifício ocupando, de uma forma progressiva, uma área de 6000 metros quadrados. A especialidade é a concepção e fabrico de mobiliário de madeiras maciças e aglomerados folheados. Actualmente, a segunda geração, Francisco e Salvador Martins, participa na gestão da empresa.

Nestas quatro décadas, a produção foi sofrendo alterações. Acompanhando a tendência do mercado do mobiliário, a Paularte produziu, durante muito tempo, móveis de estilo clássico. Nos anos noventa, começa a trabalhar com designers externos que desenham linhas completas de mobiliário moderno. Em 2007, surge o projecto Martins, peças de autor numeradas e assinadas, de arquitectos e designers convidados.

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